A EPTTC sempre foi uma das áreas de muita polêmica nas administrações de Petrolina desde sua criação. Se tem o mérito de ter ajudado a cidade no reconhecimento nacional pelo respeito à faixa de pedestre, tem também a desconfiança da cidade quanto à lisura de suas administrações e pelos excessos de multas aplicadas. O blog convidou o superintendente da empresa, Marcelo Cavalcante para uma visita. Ele aceitou o convite e nos deu a seguinte entrevista:
Carlos Britto: O Sr. trabalha num ponto nevrálgico da administração, como tem visto esse desafio?
Marcelo Cavalcante: Com muita tranqüilidade, mas como muita responsabilidade também. Estudei muito desde que o prefeito me fez o convite e dou aqui o meu melhor. E cobro muito da equipe também o melhor de cada um deles.
Carlos Britto: Não deve ser muito difícil com a receita que o Sr. tem, não é verdade?
Marcelo Cavalcante: Esse é um engano. A receita da EPTTC hoje não chega a 150 mil com uma despesa na casa dos 130 mil reais num orçamento apertado. E aqui estamos fazendo ginástica financeira, cortando custos, economizando em tudo. Pra você ter uma idéia hoje temos uma empresa de manutenção interna e outra externa e notamos ai uma economia considerável. O objetivo é fazer um trabalho de qualidade e responsabilidade financeira.
Carlos Britto: Orçamento apertado como? Guardas multando a todo instante, e a comunidade chamando de indústria da multa?
Marcelo Cavalcante: Essa coisa de indústria da multa se existia não existe mais. Nosso objetivo é tirar o talão de multa da mão do agente. Não admitimos multar por multar. Orientamos primeiro a conversa, a orientação e o diálogo com a multa vindo somente depois daí se for o caso. O prefeito me solicitou isso e estamos cumprindo. E antes que você pergunte sobre as blitz onde diziam que pediam dinheiro, não admitimos o menor sinal de desonestidade. Somos muito flexíveis, mas isso não tem perdão embora eu confie na equipe que tenho.
Carlos Britto: Ainda sobre as multas. Multavam e ainda mandava a gente recorrer e nunca ganhávamos nessa causa.
Marcelo Cavalcante: Isso era outro erro que já detectamos. Antes uma comissão da própria EPTTC julgava os recursos e Acabamos com isso. Hoje temos um representante dos motoristas, um da EPTTC e um da Policia Militar. Assim é mais justo e mais honesto.
Carlos Britto: Como é essa história de não tratar a EPTTC como empresa pública?
Marcelo Cavalcante: É verdade. Sei que é serviço público, mas lá a gente trata mesmo como empresa privada, estabelecemos metas e objetivos e quando não se cumpre, sentamos para avaliar os resultados. Nós trabalhamos para a comunidade e isso tem que ser feito com todo cuidado. O cidadão nos paga e temos que fazer valer o pagamento.
Carlos Britto: Isso não é discurso político?
Marcelo Cavalcante: Não é, é compromisso de quem quer fazer direito. Estou colocando minha energia nisso. Chego na empresa seis e meia da manhã, reservo duas horas só pra atender a comunidade e eu mesmo vou checar muitas reclamações in loco. Chego, me apresento , pergunto, questiono, tento entender o problema e procuramos dar as soluções,
Precisamos entender o que é isso pra atender melhor. Eu já conheço todos os corredores de ônibus da cidade e junto com a equipe fizemos um detalhado levantamento das ruas dos bairros para uso do transporte urbano. Mas fazemos um trabalho integrado com as secretarias de planejamento e obras para uma melhor sintonia.
Carlos Britto: A cidade tem muita falha de sinalização, o que o Sr. pretende fazer?
Marcelo Cavalcante: É verdade. Mas já estamos avançando com manutenção dos semáforos, sinalização aérea e terrestre. Já íamos começar fortemente na terrestre pintando faixas. Muita gente não sabe mais é um material caro, para se ter uma idéia o metro quadrado de tinta sinalizada custa aqui pra gente 18 reais e 40 centavos, mas o nosso objetivo é comprar por 13 reais que é o preço da região metropolitana para grandes obras.
Mas paramos com essa sinalização por que a Compesa vai começar o processo de troca dos canos do centro e teríamos que fazer o serviço novamente. Semana que vem vamos conversar com Sindilojas, CDL, secretarias de Obras e Planejamento, representantes da sociedade para traçarmos metas de como vamos passar por esse problema sem maiores impactos.
Carlos Britto: E sobre a polêmica do moto-taxi?
Marcelo Cavalcante: A problemática do transporte alternativo precisa ser enfrentado, pois ela está ai, ela existe. O que propomos é um grande pacto envolvendo todo o sistema de transporte da cidade. Sei que temos problemas jurídicos para isso, mas com o pacto e todos cedendo um pouco podemos encontrar um melhor caminho. Se as empresas de ônibus toparem o pacto uma chancela judicial acaba o problema. Agora não queremos transgredir as leis, as empresas de ônibus são detentoras das concessões por isso precisamos trabalhar unidos. Todos os interessados.
Carlos Britto: Mas por que as empresas de ônibus aceitariam isso se são as donas das concessões?
Marcelo Cavalcante: Por que o problema existe e elas também são prejudicadas. Temos mantido uma sinergia boa com essas empresas. Nós as fiscalizamos mais somos colegas de trabalho. Sei das dificuldades deles, sei dos problemas, das soluções e dos desafios. Eles estão sofrendo, sofrendo muito e precisam ter mais tranqüilidade financeira e do jeito que está sem disciplina dos transportes é complicado. Veja por exemplo a questão do emplacamento dos ônibus. Têm que sem emplacados aqui em Petrolina, gerar receita aqui. Hoje eles passam por dificuldade e somos compreensivos. Mas tenho dito que vamos enfrentar esse problema também.